sexta-feira, 11 de outubro de 2024

TRANSPARÊNCIA & TRANSPARÊNCIA

O país vive uma situação de extrema escassez de divisas, que impede a dinamização de projectos pré-programados... Ao mesmo tempo constatamos por parte de organismos do Estado, um grande desperdiçar de sinergias necessárias para o alavancar da nossa economia e na criação de condições que possam promover o bem estar do nosso povo. Perante esta dura situação, pela qual fomos propositadamente empurrados, ainda não escutamos esclarecimentos por parte das nossas elites governamentais: como está o controlo do nosso endividamento, assim como medidas práticas e exequíveis que visam a superação da crise em que nos encontramos.



terça-feira, 24 de setembro de 2024

ILÍDIO MACHADO: GRANDE NACIONALISTA E PRECURSOR DA UNIDADE NA LUTA ANTICOLONIAL (Por Anastácio Ruben Sicato)

 

Ilídio Tomé Alves Machado foi uma grande figura do nacionalismo angolano! Nasceu em Luanda, em 1914 e faleceu em 1983. Era funcionário dos CTT (Correios), tendo chegado a ser seu Director Geral.
Com Viriato da Cruz, funda o PCA (Partido Comunista Angolano) e o PLUAA (Partido de Luta Unida dos Africanos de Angola). Em 1956, com Viriato da Cruz, Ilídio Machado foi co-subscritor do famoso MANIFESTO do PLUAA, que mais tarde (1960) ficou conhecido como sendo o Manifesto do MPLA. Ilídio Machado foi também o fundador do MIA (Movimento para a Independência de Angola).
Em 1959, foi preso pela PIDE, por estar em contactos com vários outros nacionalistas: Lúcio Lara, Matias Miguéis, Agostinho Neto, Padre Joaquim Pinto de Andrade, Padre Alexandre do Nascimento e muito outros.
Em 1959, apercebendo-se de que a existência de vários partidos e movimentos dificultavam a independência de Angola, Ilídio Machado decidiu criar o MLNA (Movimento de Libertação de Angola). Para tentar coordenar a luta de libertação, em Maio de 1969, vai a Lisboa, onde a 27 de Maio foi preso pela PIDE e enviado para o Tarrafal. Foi libertado em Outubro de 1970.
Portanto, na década de 50, em toda a sua carreira política, em nenhum momento lhe apareceu o MPLA. Como poderia dirigi-lo? O que é verdade é que Ilídio Machado queria que houvesse um movimento aglutinador dos diferentes partidos angolanos existentes.
No final de Janeiro de 1960, reúne-se em Tunes, a II Conferência Pan-Africana. Na I Conferência Pan-Africana de Acra, Holden esteve sozinho a representar Angola. Mas, para os nacionalistas da Liga Africana e da Casa dos Estudantes do Império, Holden era um “outsider”, pois não era da linha de Lara, Viriato, Neto e outros, que com outros activistas que tinham passado pela Casa dos Estudantes do Império pertenciam ao MAC (Movimento Anti-Colonial). É assim que para esta II Conferência de Tunes, esses activistas fizeram-se presentes e o fizeram em nome do MAC, uma organização supra nacional.
De facto, quando Viriato da Cruz vai para essa II Conferência Pan-Africana de Tunes, ele leva para os outros camaradas o nome MPLA inscrito no Manifesto do MAC que tinha sido tirado de uma expressão do MANIFESTO do PLUAA, onde se defendia um “amplo movimento de libertação de Angola”. Esse documento tinha sido trabalhado por Viriato da Cruz nos últimos meses de 1959 e o mesmo tinha sido corrigido por Lara e por Mário de Andrade. É aí onde nasce o nome MPLA e quem o criou foi o grande Viriato da Cruz!
Porque foi necessário fazer nascer o MPLA em 1956? Apenas, para ser vendido – numa operação de marketing que durou décadas – como tendo sido criado antes da UPA! Em 1958, na I Conferência dos Povos Africanas de Acra (Gana), a conselho de Frantz Fanon e de nacionalistas dos Camarões, Holden Roberto mudou o nome de UPNA (União das Populações do Norte de Angola), criado em 1957, para UPA (União das Populações de Angola). Nessa I Conferência, como angolano, ele esteve sozinho, como poderia representar só o Norte de Angola? Fazendo passar a ideia de que tinha sido criado em 1956 em Angola, o MPLA ganharia sobre a UPA a anterioridade (1956 contra 1958) e a interioridade (Luanda versus Leopoldville!).
Com tudo isso, fica claro que Ilídio Martins nunca foi Presidente do MPLA. Porém, ele foi – sem nenhuma dúvida – um dos grandes nacionalistas do nosso país nos anos 50.
Vários autores debruçaram-se sobre este tema, como Edmundo Rocha, Carlos Pacheco e Jean Martial Arsene Mbah. Recomenda-se a sua leitura.

segunda-feira, 29 de maio de 2023

DETURPAÇÃO DA VERDADE HISTÓRICA DA BATALHA DE CUITO CUANAVALE - HIPOCRISIA HISTÓRICA OU UTOPIA?

1. Os dados históricos são infalíveis… tardam, mas vêm sempre ao de cima! Ligar a Batalha de Kuito Kwanavale com a liberação da África Austral é um autêntico disparate e falta de conhecimento sócio histórico. É preciso lembrar aqui aos lunáticos, céticos/fanáticos políticos da nossa praça, de que o Conflito Interno Angolano caracterizou-se no contexto da Guerra Fria, onde a ingerência das duas superpotências (EUA e URSS) foi notória.
2. Não ousando, porém, confrontar-se diretamente, EUA e URSS apoiavam os seus aliados em conflitos regionais localizados, nos quais se enquadra a região da África Austral, fornecendo tropas, conselheiros e material de guerra.
3. Com a aprovação da Resolução 435/78 do CS das Nações Unidas, começava com grande ênfase a busca de uma solução diplomática, que visava em primeiro lugar a liberação da Namíbia e concomitantemente a busca de tentativas de acordos entre as partes angolanas em conflito - governo da República Popular de Angola e a UNITA ( acordos de Lusaka, Gbadolite, Nova York, Bicesse entre outros), visando de forma pacífica e diplomática resolver não só o conflito de Angola como também a plena pacificação da região da África Austral.
4. As transformações que começaram depois de 1985 na URSS, com a eleição de Mikhail Gorbachev, levaram ao abrandamento da Guerra Fria e do clima de conflitualidade entre os países Ocidentais e os países de Leste Europeu, criando assim perspetivas para uma solução pacífica do conflito regional que opunha a República Popular de Angola à África do Sul. Neste contexto a tensão militar foi transferida para a fronteira norte, onde a RDC ex República do Zaíre, se tornava recetora do material militar enviado pelos Estados Unidos à UNITA.
5. Foi neste clima, que no ano de 1989, o presidente Mobutu do Zaíre, reuniu em Gbadolite com José Eduardo dos Santos e Jonas Malheiro Savimbi na presença de vários estadistas africanos. Esta reunião foi um fracasso, mas foi o cimentar dos acordos que se seguiram até chegar Bicesse.
6. Vale aqui dizer com veemência que o fator decisivo, que levou a Namíbia à independência e a estabilidade sociopolítica na região, deveu-se efetivamente a conjuntura de então: o fim da correlação de forças entre URSS e EUA. Não existem dúvidas de que o fim da Guerra Fria favoreceu a busca da paz e estabilidade na sub-região da África Austral.
7. Não houve vencidos nem vencedores - fomos todos galardoados com as mudanças vindas da terra de Mikhail Gorbachev.
Pode ser uma imagem de 4 pessoas e texto que diz "Jeremy Harding"
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QUE DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL TEREMOS PARA ANGOLA NOS PRÓXIMOS ANOS?

Não se constrói economicamente um país com precariedade laboral… É essencial e para que tenhamos mais e mais produtividade, que se valorize o mérito e que o trabalhador viva dignamente do seu trabalho.

O trabalho deve ser o barómetro, ou seja, o indicador que nos deve permitir aferir a qualidade de vida das pessoas. Para tal, também é preciso incessantemente à aposta na qualificação profissional do agente laboral, assim como na sua formação integral. Com isto ganhamos todos (ganha o país, o patronato, os trabalhadores e as famílias).
A nova revisão salarial que se avizinha, deve efetivamente ter em conta o poder de compra dos trabalhadores, sem o qual, falar de desenvolvimento socioeconómico da nossa Mãe Angola será uma quimera.



25 DE MAIO - DA ÁFRICA

 O 25 DE MAIO é comemoração e efeméride anual estabelecida a partir da fundação da OUA (Organização de Unidade Africana) à 25 de Maio de 1963. Neste dia, líderes de 30 dos 32 Estados Africanos então independentes, assinaram uma Carta de fundação em Addis Abeba, na Etiópia. O continente ao longo destes 60 anos continua ADIADO no que diz respeito ao desenvolvimento: o continente sofreu vários flagelos, quer a nível político, económico e social que mudou e de que maneira, a marcha da sua história. A 9 de Julho de 2002 foi fundada em Durban (África do Sul) a União Africana (UA), sucessora da Organização de Unidade Africana). A UA tem por objetivos a unidade e solidariedade africanas, defende a eliminação de todo tipo de dominação, respeito pela soberania dos Estados, a integração económica e a cooperação política e cultural entre os países e povos do continente. Viva África…! África oyée...!


quarta-feira, 26 de abril de 2023

BATALHA DO CUÍTO CUANAVALE, HIPOCRISIA HISTÓRICA OU UTOPIA?

                        


 Qualquer uma guerra ao ser programada, comporta em si um propósito, assim como o objetivo à atingir.

Muito se fala da Batalha de Cuíto Cuanavale, ter mudado a conjuntura geopolítica e estratégica na África Austral… não é verdade.

As grandes transformações que aconteceram nos finais dos anos 80 e princípios dos anos 90 do século XX - O processo de transformação da URSS iniciado por Mikhail Gorbatchev representou, na realidade, a crise profunda e o reconhecimento da falência do modelo leninista. As reformas implementadas por Gorbatchev e que ficaram conhecidas pelas designações "perestroika" e "glasnost" levaram a desagregação da URSS em vários Estados independentes e ao processo de liberalização da economia e a democratização da vida política, assim como, o fim do envio de grandes remessas financeiras para Cuba. Foram efetivamente estas mudanças, que levaram ao fim da hegemonia da URSS e concomitantemente o fim da Guerra Fria.

No meu entendimento estas foram as verdadeiras razões que levaram ao processo de democratização e eleições livres em várias partes do mundo, incluindo o fim do conflito interno angolano, que era fomentado pelas duas superpotências de então: a URSS e os Estados Unidos.

É do conhecimento de todos, que nos finais dos anos 80 do século passado, grande parte do território angolano encontrava-se nas mãos dos rebeldes da UNITA, incluindo algumas cidades. Tudo isso deveu-se a conjuntura mundial de então - a grande redução do apoio que Angola recebia da União Soviética.

Mas qual era o super objetivo da Batalha de Cuíto Cuanavale? Era sem dúvidas a conquista de Mavinga e a Jamba (quartel general da UNITA). Não tendo tendo alcançado o super objetivo, não se pode proclamar victória efetiva. Aqui fica o meu mécontentement, pela forma como a nossa história recente continua a ser adulterada.

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA - PROBLEMA MORAL E PENAL!!!


Cerremos fileiras em prol de um único objetivo: A Erradicação da Violência Doméstica na nossa Angola. Mas isso só será possível se efetivamente compreendermos e procurarmos com inteligência a melhor maneira de livrarmos o país deste cancro.
Temos que partir sempre do princípio que somos um agregado de povos com especificidades próprias, e que é preciso olharmos Angola com olhos de ver...
Nem sempre o direito positivo pode resolver as mazelas que a nossa cultura comporta. Medidas coercivas e repressivas não levam à Erradicação da Violência Doméstica, pelo contrário assistimos a um agravamento crescente da situação.
O melhor antídoto é efetivamente a Educação do nosso povo: a introdução no currículo escolar de temáticas ligadas a Dignificação da Família, readaptar os catecismos das igrejas cristãs à realidade catual, as programações dos mass médias, devem também valorizar a cultura do amor ao próximo...
A luta pela Erradicação da Violência Doméstica é um processo longo e ingente, que exige a contribuição de todos sem distinção.