sexta-feira, 22 de abril de 2016

REFLETIR KALUPETEKA À LUZ DO MESSIANISMO AFRICANO

Em todos os momentos históricos, quase que sempre temos a repetição de factos que tenham acontecido no passado e apenas trajados com uma nova roupagem! O grande marco da consciencialização africana começa precisamente com o Pan-Africanismo no início do século XX, com o primeiro encontro histórico dos africanos que teve lugar em 1900, marcando assim o início do fim de um sistema - o colonial.

Figuras como Willian Silvestre, W.E. Du Bois e Marcus Harry, foram os embriões da causa que reclamava um melhor tratamento para a África e os africanos...

Foi justamente o Pan-Africanismo que deu lugar a partir do ano de 1914, ao surgimento de um vasto Movimento Religioso, denominado de Movimento dos Profetas Messiânicos, onde podemos destacar: o Amicalismo de André Matswa (1921) no ex Congo Francês; a Societé Amicale des Originaires de
l´Afrique Equatoriale, fundada em França em 1926; A Torre Espreita, na Niassalândia; a Seita de Willian Harry, na Costa do Marfim; o Kimbanguismo, em 1921 no ex Congo Belga; o Tocoísmo, em 1949 em Leopolville (Kinshasa)...

Busquemos a história de alguns destes Movimentos de Profetas Messiânicos, que surgiram no século passado e façamos uma sucinta analogia/reflexão histórico-filosófica e procuremos dar respostas no hoje e no tempo.

Deixo aqui as seguintes questões: Como eram considerados os Movimentos de Profetas Messiânicos pelos então poderes coloniais em África? E como os primeiros governos de inspiração socialista/comunista saídos das independências africanas olhavam para estes Movimentos?

O Tocoísmo por exemplo em Angola até bem pouco tempo atrás, foi considerada seita do mal, tendop sido também acusada em 1983 de práticas indecorosas e tentar contra a então Segurança do Estado. Para muito isto é coisa do passado, para mim também... mas estes factos devem servir-nos de referência sócio-histórica, ajudando-nos a não repetirmos os erros do passado.

Todos os atos de barbárie devem ser veementemente condenados, mas respeitando sempre o Direito e a dignidade da pessoa humana em toda a sua dimensão.

terça-feira, 1 de março de 2016

1.2-DO CRESCIMENTO AO DESENVOLVIMENTO

1.2.1- CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO: DOIS ASPECTOS DA MESMA REALIDADE

O Crescimento é fenómeno de natureza quantitativa, que se caracteriza num aumento ou seja define a evolução da actividade económica. Referindo-se precisamente a quantidades de bens e serviços produzidos numa determinada sociedade e posta a disposição das pessoas.

O conceito de Desenvolvimento vem do coneito de Crescimento, pois os seus elementos económicos ligados ao Desenvolvimento são parte do Desenvolvimento engloba muito mais do que os elementos económicos, pois envolve alterações quantitativas.

Podemos assim dizer que o Crescimento não é um fim em si, mas caminho indicativo para o Desenvolvimento.


1.2.2- O CARÁCTER DINÂMICO DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO

Os conceitos de Crescimento e Desensolvimento só entram no vocabulário económico e político a partir da II Guerra Mundial, quando com as independências das colonias se começou a confrontar o nível de vida dos novos países (África e Ásia) com os países da Europa e da América do Norte.

Após as descolonizações as políticas de Desenvolvimento orientavam-se para um elevado crescimento do PIB per capita através da industrialização, acreditava-se que o Crescimento Económico, apesar de gerar desigualdades no ínicio, acabaria por trazer mudanças qualitativas.

Perante a falência dos resultados, tomou-se consciência de que o simples Crescimento Económico não acarretava forçosamente o Desenvolvimento nem a diminuição das desigualdades.

A partir do final dos anos 70 do século XX surgem novas teorias centradas na articulação entre o Económico e o Social, que propugnam a satisfação das necessidades básicas da população, assim como políticas de redistribuição.

1.2.3- ASPECTOS RELEVANTES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO E DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Surge em 1990 através do Relatório das Nações Unidas (ONU), o conceito de Desenvolvimento Humano, que considera Desenvolvimento Humano, o próprio desenvolvimento da pessoa humana em todas as suas dimensões, incluindo a liberdade de escolher e realizar o seu próprio projecto de Desenvolvimento. Assim foi criado um indicador para medir o Desenvolvimento Humano (IDH).

Também foi criado um outro indicador, o do Desenvolvimento Sustentável. Este indicador permite dar respostas às necessidades da geração presente, sem comprometer a possibilidade  de Desenvolvimento das gerações futuras. O Desenvolvimento Sustentável tem dois conceitos básicos: 
* O conceito de necessidades
* O conceito de limites

            

segunda-feira, 23 de março de 2015

MEDIÇÃO DO NIVEL DE DESENVOLVIMENTO HUMANO DOS PAÍSES


O índice da Renda per capita é uma medida simples e operacional, mas tem limitações e pode apresentar distorções. Por isso, vem se tentando melhorá-lo, seja aperfeiçoando as suas estimativas (como por exemplo, adotando-se, nas comparações internacionais, indicadores calculados com base no método da paridade do poder de compra, ao invés das taxas de câmbio oficiais), seja complementando-o com outros indicadores como Educação (grau de alfabetização) e Saúde (expectativa de vida), para definir um índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ou de qualidade de vida. Nem sempre os países com mais alta renda per capita são os de mais alto nível de qualidade de vida.  Repare por exemplo na Tabela abaixo, o Canadá está na    posição do ponto de vista do Produto per capita, mas tem o 1º lugar em qualidade de vida. Já o Luxemburgo tem o 1º lugar em produto per capita, mas ocupa o 6ª posição em termos de qualidade de vida.

O quê então o IDH (Indicador de Desenvolvimento Humano)? É uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do Desenvolvimento Humano: RENDA, EDUCAÇÃO E SAÚDE. O objectivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão económica do desenvolvimento.  

TABELA DO RANKING DE ALGUNS PAÍSES SEGUNDO O DESENVOLVIMENTO HUMANO    
Refº ao ano de 1999
Posição na classificação
Países Classificados de acordo com
        Produto per capita
                 IDH
 
   
10º
11º
 
 
 
 
 
 
LUXEMBURGO
ESTADOS UNIDOS
SUÍÇA
NORUEGA
ISLÂNDIA
BRUNEI
BÉLGICA
DINAMARCA
BERMUDA E CANADÁ
JAPÃO
FRANÇA
 
CANADÁ
NORUEGA
AUSTRÁLIA
ESTADOS UNIDOS
SUÉCIA
LUXEMBURGO
BÉLGICA E HOLANDA
JAPÃO
ISLÂNDIA
REINO UNIDO
 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O PANAFRICANISMO

O Panafricanismo é o pensamento político-ideológico que defendia de uma forma aberta o nacionalismo africano. Surge no início do século XX, no fim de um período extremamente triste de uma época histórica - a da Escravatura Transatlântica e o começo de uma era também triste, o Colonialismo.  

O primeiro encontro histórico dos africanos teve lugar em 1900, marcando o início do fim de um sistema - o Colonial. O encontro foi preparado por William Silvestre, estiveram presentes um reduzido número de intelectuais das Índias ocidentais britânicas e afro-americanos, reclamando um melhor tratamento para a África. Os negros norte americanos, conhecidos por afro-americanos, tomaram a peito à questão... os mais conhecidos foram:
* W. E. Du Bois
* William silvestre
* Marcus Garvey

De 1919 - 1945 os fundadores da ideologia Pan-africanista intensificaram  seus esforços, conseguindo grandes avanços e atingindo experiências e maturidade para a sua causa.

Foram realizados 5 (cinco) Congressos Pan-africanos, o tema central refletia-se precisamente nos problemas dos negros nos continentes americanos e africano:
1º Congresso (Paris 1919)
2º Congresso (Londres 1921)
3º Congresso (Londres e Lisboa 1923)
4º Congresso (Nova York 1927) com 208 delegados e nenhuma representação africana efectiva.
5º Congresso (Manchester 1945)

O Pan-africanismo influenciou os africanos no interior e no exterior do continente, pronunciando-se contra o colonialismo, a descriminação racial e a favor da autodeterminação dos povos das colónias, partindo da unidade.
             
                    «A Salvação da África encontra-se na sua unidade» (Diallo Telli)  

    

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A INDUSTRIALIZAÇÃO

Do ponto de vista político, Industrialização é o período crucial de transição - período caracterizado por mudanças drásticas e decisivas, políticas e sociais no país e no mundo.

Na segunda metade do século XVIII ocorreram na Europa importantes transformações.A Inglaterra apresentava condições favoráveis para o inicio de uma nova era: a da Produção Industrializada. Foram transformações tão profundas, estruturais e radicais, que os historiadores denominaram esse período por REVOLUÇÃO INDUSTRIAL.

Neste contexto podemos, assim definir Revolução Industrial, como conjunto das transformações profundas, estruturais e radicais, que ocorreram na Inglaterra, em particular, e na Europa, em geral, entre 1780 à 1870. Este período compreendeu um conjunto de mudanças nas técnicas, na economia e no meio social, tendo iniciado com a maquinização da industria.


PREMISSAS QUE APONTAVA A INGLATERRA COMO PIONEIRA NA INDUSTRIALIZAÇÃO

1- Dispunha de importantes recursos naturais, como carvão, ferro e estanho;
2- Estabilidade social e política      
3- Possibilidades naturais de transporte (Vias de comunicação);
4- A agricultura assegurava a subsistência da população e fornecia matérias primas à indústria;
5- Alargamento do comércio externo.

A Primeira Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra entre 1780 - 1870. As mudanças ocorreram fundamentalmente nos sectores da agricultura, dos transportes, da indústria, na população, nas fontes de energia, na técnica e na cultura.  

sexta-feira, 11 de abril de 2014

DIREITO AO DESENVOLVIMENTO É QUESTÃO DE DIREITOS HUMANOS

A problemática dos direitos humanos remonta desde o século XVIII, com precedentes na Inglaterra (1683) e na Constituição Americana (1787), mas foi a Revolução Francesa de 1789, que abriu caminho ao difícil processo dos Direitos Humanos, ao estabelecer, na DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO, princípios que consideravam válidos para toda humanidade, quiseram realizar o sonho de Emancipação que marcou o século XVIII.

Foram valores de Liberdade, Igualdade,  Fraternidade, saídos da Revolução Francesa que consagraram os Direitos civis e políticos(direito à vida, `prosperidade, ao voto, de associação etc...). Surge assim a 1ª GERAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM.

No período entre 1830 - 1840 começaram afirmar-se os direitos Econômicos e Sociais, em resposta as péssimas condições de vida da classe operária surgida com a Revolução Industrial (direito ao trabalho, à greve, à proteção social etc...) É a 2ª GERAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM.

Os atos de barbárie cometidos durante a 2ª Guerra Mundial levou a que, à 10 de Dezembro de 1948, tenha sido aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a Declaração Universal dos Direitos do Homem, «como ideal a atingir por todos os Povos e Nações».

Alargam-se assim os direitos às liberdades civis e políticas, nomeadamente o direito à Satisfação de Necessidades Vitais Primárias ou Essenciais. Proclama-se o Direito da Integridade de qualquer cidadão - proibição da tortura e de penas ou tratamento cruéis ou degradantes.

Na década de 60 do século XX tomou-se consciência do respeito para com o ambiente ( a sua proteção ). Surge a 3ª GERAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM: direito à paz, a um ambiente são, ao patrimônio comum da humanidade, enfim ao Direito ao desenvolvimento.       


sábado, 5 de outubro de 2013

O VENDAVAL EUROPEU

Os europeus não apreenderam as lições do passado. A história não se apaga. A história é um indicador que nos ajuda a ler os sinais do tempo.

A Grande Depressão dos anos 30 do século XX, devia servir de lição para os europeus e para o mundo no geral. Foram as políticas liberais capitalistas, que levaram ao exacerbar dos Nacionalismos na Europa e que deu origem à Regimes Ditatoriais, como foram os casos do Nazismo na Alemanha, do Fascismo na Itália e Portugal, do Franquismo em Espanha etc...

As políticas de austeridade que vimos acompanhando nos países da UE (união europeia), podem levar a desintegração de alguns países europeus, pondo mesmo pôr em causa a sobrevivência da moeda única - o Euro -. Verdade seja dita, de que grande parte destes países estão perdendo sua soberania...

A União Europeia é uma manta de retalhos, onde cada retalho tem um peso e um valor. A hegemonia da Alemanha e da França na Europa, são provas efectivas de que a Europa precisa de um novo tipo de políticas de integração baseada na solidariedade colectiva, tento sempre em atenção, que a Europa não é uma unidade como tal, mas um agregado de povos com realidades diferentes umas das outras...