domingo, 9 de julho de 2017

2.2. OS CONFLITOS E OS EQUILÍBRIOS NUM MUNDO BIPOLAR


2.2.1. UM MUNDO BIPOLAR: LEGADO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Depois de trerem lutado como aliados durante a 2ª Guerra Mundial os Americanos e os Soviéticos converteram-se em inimigos. Esta oposição explica-se pelas ideologias políticas e económicas que perfilhavam: os EUA seguiam o Capitalismo, a URSS o Comunismo-Socialismo.
Formaram-se, então, dois blocos antagónicos: por um lado, os países capitalistas, liderados pelos EUA; por outro, os países Socialistas-Comunistas e anticapitalista, liderados pela URSS. Foi o período da Guerra Fria
2.2.2. RECONSTRUÇÃO DA EUROPA E A CONSTITUIÇÃO DE ORGANIZAÇÕES POLÍTICO-MILITARES
Após a Segunda Guerra Mundial os EUA e a URSS tornaram-se nas duas superpotências  mundiais. A Europa Ocidental contou com a ajuda do Plano Marshall para a sua reconstrução e a Europa de Leste inseriu-se no COMECON liderado pela URSS. Em paralelo formaram-se dois blocos militares antagónicos: a NATO ou OTAN (Organização do tratado Atlântico Norte) e o PACTO DE VARSÓVIA. Esta política de blocos deu origem a um clima de Guerra Fria.
A RECONSTRUÇÃO DA EUROPA
A Europa, arruinada e endividade, saiu profundamente abalada da Segunda Guerra Mundial. Os EUA desenvolveram então um plano de ajuda para a reconstrução dos países europeus.
Em 1948,  o presidente Truman aprovou um programa para a reconstrução dos países da Europa Ocidental, devastados pela guerra. Esse programa viria a ser conhecido por PLANO MARSHALL –nome do general americano que se distinguiu na proposta e na defesa desse plano.
     Os principais objectivos deste plano eram:
      - ajudar economicamente a Europa Ocidental, reconstruindo as indústrias e reativando o comércio;
       - reforçar a posição dos EUA como superpotência e a sua hegemonia que já se fazia sentir desde o fim da Primeira Grande Guerra;
       - evitar o avanço do Comunismo: uma Europa debilitada poderia ser um campo aberto à entrada do Comunismo e da influência Soviética.
A CONSTITUIÇÃO DE ORGANIZAÇÕES POLÍTICO-MILITARES; UM EQUILÍBRIO GEOPOLÍTICO INSTÁVEL                                                                      
A URSS recusou-se a ser beneficiária do Plano Marshall e convenceu os governos dos países da Europa de Leste a fazerem o mesmo. Em contrapartida, em 1949, a URSS constituiu com os países do Leste Europeu o Conselho de Assistência Económica Mútua – COMECON.
A Europa passou assim a estar dividida em dois blocos.
Cada um dos blocos procurou reforçar-se económica, política e militarmente:
     - economicamente, o Bloco Ocidental beneficiou do Plano Marshall, e a Europa de Leste do COMECON;
     - militarmente, foi criada, em 1949, a NATO ou OTAN (Organização do Tratado             Atlântico Norte); em 1955, o bloco de Leste responde com a criação do Pacto de Varsóvia;
     - politicamente, acentuaram-se as tentências da democracia e do capitalismo no ocidente e do socialismo... no leste.
Esta oposição alastrou-se para além da Europa. Na Ásia, os comunistas, liderados por Mao tsé-Tung, implantaram a República Popular da China em 1949. Também na Coreia do Norte e na Indochina se implantaram regimes comunistas, na década de 1950.
A formação dos blocos levou a uma situação de tensão militar, ideológica e diplomática permanente. Esta tensão permanente gerou um clima internacional que ficou conhecido por Guerra Fria. 
2.2.3. A RADICALIZAÇÃO IDEOLÓGICA E A GUERRA FRIA; a Formação de um Mundo Bipolar
O clima de Guerra Fria levou as duas superpotências mundiais a uma corrida aos armamentos, que incluía as armas nucleares e o apoio à conflitos localizados. Foi também um período de espionagem intensa, com a intervenção das polícias secretas, nomeadamente a  CIA (EUA) e o KGB (URSS).
Não ousando, porém, confrontar-se directamente, EUA e URSS passaram a apoiar os seus aliados em conflitos regionais, fornecendo tropas, conselheiros e material de guerra. Desenvolveu-se, assim, a luta por zonas de influência que originou um mundo bipolar. Esta luta conduziria ao «equilíbrio pelo terror».
O primeiro faco de tensão entre a URSS e os EUA ocorreu com a Questão de Berlim (1948 – 1949) que conduziu não só a continuação da divisão daquela cidade, mas também à divisão da própria Alemanha em duas: a Alemanha de Leste – que iria adoptar a designação de República Democrática Alemã – RDA e a Alemanha Ocidental – que adoptaria o nome de República Federal da Alemanha – RFA. Esta divisão da Alemanha prefigurou, a divisão da Europa em dois blocos separados pela ‘’cortina de ferro’’.
A guerra da Coreia 1950 – 1951), a guerra da Indochina , e a crise de Cuba (1962) constituíram algumas das questões que conduziram a alguns problemas que ameaçaram a paz mundial.
Com o desenvolvimento das armas nucleares e os mísseis intercontinentais, as duas superpotências ficaram em situação de cada uma delas poder destruir ou ser destruída pela outra em caso de guerra. No entanto, o receio de uma guerra nuclear levou as duas potências ao diálogo no sentido da construção de uma política de coexistência pacífica.
 

  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A INSTALAÇÃO DO APARELHO POLÍTICO E ADMINISTRATIVO COLONIAL E AS CAMPANHAS DE OCUPAÇÃO



A instalação do sistema colonial português em África só foi acelerado no último quartel do século XIX, por quanto antes desse período o interesse pela conquista das terras africanas não fazia parte das preocupações das elites portuguesas. Com a independência do Brasil, em 1822 os portugueses viraram-se para o continente africano.
As comunidades africanas do território que hoje se chama Angola, rejeitaram violentamente as tentativas dos portugueses para submetê-los.
Entre 1900 e 1936, Portugal teria que empenhar-se com numerosas campanhas militares para sufocar de modo sangrento as rebeliões dos povos submetidos, como os bacongos, tchockwé, hereros, ovambos, ovimbundos etc que encheram de orgulho a heróica resistência anticolonial, como por exemplo:

A RESISTÊNCIA DOS POVOS DO KONGO E DEMBOS - A resistência dos povos no Norte (Congo e Dembos) deveu-se as práticas do aparelho político e administrativo colonial. As revoltas sucederam-se, tendo em conta a brutalidade com que se movia o sistema, desde a expropriação de terras, a cobrança de impostos, recrutamento de mão de obra para São Tomé e Príncipe, a política missionária pelo cristianismo católico de recrutamento... A única solução dos nativos era a opção da resistência, ou seja a via armada contra os invasores. Só em 1918 e 1919 é que os portugueses conseguiram dominar a revolta dos Dembos.
O período de 1913 – 1915 foi dos mais agitados a sangrentos na região com a grande revolta dos bakongos chefiados por Tulante Buta, baptizado com o nome Álvaro Buta (antigo aluno da missão protestante de São Salvador – Mbanza Kongo), contra o envio de contratados para S.Tomé. Esta revolta eliminou muitos oficiais portugueses e durou até 1917, foi tão violenta que os colonialistas foram obrigados a parar com a exportação de mão de obra.
No Kongo temos a destacar:
- A celebre batalha de Ambuila, liderada por Vita Kanga, baptizado por               António I, derrotado pelos portugueses e o seu corpo sepultado no local onde está instalada a igreja da Nazaré em Luanda;
- A revolta do Ambrige em 1925, contra a exportação clandestina de escravos, contra o pagamento de imposto e contra o trabalho forçado;
- A revolta dos Dembos dava-se em 1916 chefiada por Kakulo Kahenda.

RESISTÊNCIA  DOS POVOS DO PLANATO CENTRAL (1902 -1907), SUL E SUDOESTE DE ANGOLA
Em Abril de 1902 governava no Bailundo MUTU-YA-KEVELA, que preparou um exército para lutar contra os portugueses, chegando mesmo a conquistar algumas terras que estavam na posse dos portugueses e a interromper o comércio no planato do Bié. Perante esta situação os portugueses prepararam uma expedição composta por duas colunas militares. A coluna do Norte e a coluna de Kakonda, para derrotar as forças comandadas por Mutu-ya-Kevela que morreu em combate à 4 de Agosto de 1902.

No Sul de Angola os Kwanhamas (os Ovambos) atacavam uma coluna militar de portugueses encarregados de convencer a deixar vacinar o gado. As guerrilhas continuavam até 1904 ano em que uma coluna portuguesa foi derrotada. Em 1906 uma operaação de represálias arrasava as fortalezas dos Kwanhamas, mas a luta continuava até 1915, altura em que foi morto em combate Mandume (rei dos Kwanhamas – rei dos Ovambos).


As acções das comunidades africanas do território angolano, marcaram um longo período de resistência à opressão colonial portuguesa ao trabalho forçado, ao tráfico de escravos,  a expropriação de terras e a cobrança de impostos.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

A ÁFRICA NA ERA DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

1- ÁFRICA NA HISTÓRIA MUNDIAL ANTES DO TRÁFICO

A partir do fim do século XI até ao final do século XVI, a África produzira civilizações que se destacaram pelo seu nível de organização, política, social e económica e pela sua vida cultural.
Mas nos finais do século XVI, o sentido da história africana mudou brutalmente quando a Europa exactamente na mesma época entrou em período de expansão económica e geográfica, passando a interferir na evolução das sociedades africanas de uma forma que se foi acentuando nos séculos seguintes.

Do século XVI ao século XVIII, a África foi teatro de um dos maiores genocídios que a história da humanidade registou: milhões de africanos foram arrancados violentamente das suas terras e do seu meio social, ou pereceram, para enriquecer uma burguesia mercantil, sedento de ouro e outros produtos preciosos. 

É este período que se designou chamar-se ERA DO TRÁFICO. O tráfico de escravos foi o factor essencial da história africana durante este período (XVI - XVIII). Enquanto para os europeus, especialmente para suas classes dominantes, o tráfico significou ouro, marfim, especiarias, açucar e tabaco, para os africanos significou grande martírio.

Os principais Estados pré coloniais antes da Era do Tráfico foram os Reinos do Ghana, Mali, Songhai, Benin, Haussa e Congo. Vale dizer que os primeiros contactos entre os réis da Europa e da África foram contactos de igualdade e de aliança. As relações diplomáticas estavam intimamente ligadas as relações comerciais. O sentido destas relações mudaram a partir do momento em que a Europa começou a ter influência sobre a África.

A Europa estava num período de grande crescimento económico e precisava de uma grande mão de obra para o funcionamento da sua economia e este factor motivou o interesse pelo tráfico.

2- CONSEQUÊNCIAS DIRECTAS DO  TRÁFICO DE ESCRAVOS 

O tráfico negreiro, que deu origem ao  circuito comercial entre os três continentes - Europa, África e América - trouxe consequências negativas, principalmente para o continente africano, no domínio Económico, Sócio-político, Cultural e Demográfico.

a) Consequências Demográficas- o tráfico de escravos poderia ter conduzido ao desaparecimento total da raça negra, pois os métodos praticados contribuíram para o despovoamento do continente africano. o tráfico levou para fora do continente mais de metade da sua população, sobretudo homens fortes e saudáveis;
b) Consequências Económicas- O tráfico negreiro despojou o continente de suas forças mais vivas, que davam estabilidade económica, sofrendo assim um grande abalo, e porque muitos reinos enfraqueceram em consequência do tráfico;
c) Consequências Sócio-políticas- O tráfico destruiu a vida sócio-política dos antigos reinos ou impérios, contribuindo para o desaparecimento dos mesmos, como por exemplo: o Songhai, Benin, Kongo, etc... no seu lugar, surgem pequenos estados independentes, rivais uns dos outros. Passou a vigorar a lei segundo a qual quem tivesse mais armas de fogo e fosse capaz de dominar os povos vizinhos.

CONSEQUÊNCIAS DO TRÁFICO DE ESCRAVOS EM ANGOLA

Foram várias as transformações ocorridas em Angola, para as quais contribuíram a intervenção direita e indirecta dos portugueses. As regiões do Kongo, Ndongo, do Planalto, Cuango e Benguela foram devastadas pelo tráfico. Calcula-se em cerca de mais de três milhões, o número de escravos que foram levados das costas de Angola para os portos de S.Tomé e das Américas.
O tráfico entre os séculos XVI e XVIII provocou em Angola os seguintes efeitos:
* a troca de produtos africanos e escravos por produtos europeus;
* graves perdas na população que habitava o território que constitui actualmente Angola;
* deslocação dos povos com o fim de se protegerem das guerras de kwata-kwata;
* enfraquecimento da organização social dos povos directamente atingidos pelo tráfico.